Comecei a pensar que aquele lance de chacras tá rolando comigo. Claro que não na sua forma normal, pois não tenho qualquer capacidade de saber se meu PLEXO SOLAR tá aberto, fechado, aceso, apagado, morto, doente, fraco, campeão ou mesmo o adjetivo certo pra esse tipo de item.
Tô pensando mais numa adaptação livre em que cada chacra seria uma categoria da vida.
É mais ou menos assim:
Até arrumarmos o primeiro namorado, não sabemos quase nada do amor. É preciso viver aquele negócio à exaustão pra entender vários detalhes como: quando a gente sente frio na barriga, quando não, o que é aguentar as manias do outro, as pessoas tem tipos de beijo diferentes, só alguns relacionamentos são para sempre, seus pais não são crápulas caso tenham se separado, muitas coisas que só percebemos quando "abrimos" o chacra do relacionamento. Antes a gente sabe que existe, mas parece que abre uma portinha da imersão total. Daí pra frente, tudo que rolar na vida, você poderá ver sob o ponto de vista dos relacionamentos afetivos.
Esse foi só um exemplo pra vocês entenderem. Claro que passei por esse também, mas o foco é agora:
Tenho a sensação de que em 2 anos abri 4 chacras muito grandes duma vez só, isso tá me confundindo (na minha teoria a gente teria tipo uns 40 chacras, tá, é uma coisa bem vaga).
O primeiro deles foi o da moradia. Só quem já teve uma moradia própria sabe o quanto custa tudo! Uma mísera caixinha de pregadores poderá ser um estorvo na sua conta bancária, caso você queira a colorida e com metal durável. Ou mesmo como é lidar com um eletricista em todos os aspectos: que ele marca e não aparece, que te enfia a faca, que conserta, depois quebra de novo, etc. Ou o que precisa comprar de limpeza, como reagem seus vizinhos às normas de condomínio, quantos são os boletos no fim do mês, pra onde vai o lixo, como põe o caldo Knorr nas coisas, tudo isso, só quando abrir o chacra da moradia. Dali pra frente, tudo na sua vida poderá ser visto do ponto de vista residencial autônomo. Você vai na casa dos outros e só repara em quanto deve ter sido o sofá, que aquela mesa tá embaixo de uma viga - deve ter feng shui ruim -, que a conta de luz deve sair uma nota, que o prédio tem coleta seletiva e o seu não. É daquelas coisas na vida em que quando você tá passando alguém diz "agora você vai ver, é um outro mundo".
Depois abri o chacra da Natureza. Depois de morar sozinha, não tinha o que fazer pra me entreter. Quem sabe cuidar de plantas seria minimamente divertido e pudesse me conduzir a uma paz interior. Alguém pra chamar de meu. Eis que pluf, abriu-se o chacra e todo o mundo parecia fazer parte agora de uma floresta. Andar na rua era uma aventura da biologia, estudando cada raio de matinho que colocavam pra animar. Pensando "Por que agora as pessoas penduram tanta orquídea nas árvores? Elas não conseguem conviver com a feiúra de uma planta quando não está com flores?". E por que os consultórios médicos tem plantas quando não tem janelas? Como elas devem se sentir só com iluminação artificial? Quantas plantas será que tenho que colocar no mundo pra compensar os males que eu causo? Dali pra frente, tudo na sua vida, será visto sob o aspecto verde.
Então veio o chacra da saúde. Quando você fica doente por um tempo preocupante, como foi com os meus olhos, você pensa: ferrou, e se acontecer o pior? Pronto, é só pensar nisso uma única vez que seu chacra da saúde se abrirá. Toda aquela auto-confiança que trazia desde criança acabará e começará a se sentir uma pessoa à beira da cova que tem que aproveitar a vida, pois tudo é frágil demais. Seu chefe vai brigar e você não vai ligar, nem se engordar, nem se alguém não falar mais com você, nem se tiver trânsito, nem se alguma coisa for cara demais, nada, simplesmente sua vida começa a ser vista do ponto de vista da fragilidade humana. Nada mais importa, desde que eu tenha saúde. Esse é mais um chacra. Abriu, não fecha mais.
E por último, acabei abrindo o chacra animal. Quem nunca teve um bicho sempre acha o dos outros pentelho, fedido, mimado, não tem idéia da raça, tipo, idade, de onde vem, pra onde vai, faz cocô aonde e por aí vai. Até que você decide ter um, como aconteceu comigo nesse final de semana. Adotei um vira-lata abandonadinho, depois dou mais detalhes. O que importa é que apesar dele me enlouquecer e pensar se fiz a coisa certa a cada 5 minutos, já vivo o chacra animal. Só penso no cachorro dos outros, olho um por um na rua que antes eu nem reparava que tinha, estudo a composição das rações, as vacinas, como pensam os animais, o que é a vida canina, como eles me enxergam, uma constante que não sai mais. Daqui pra frente, tudo será visto TAMBEM pelo ponto de vista dos cães.
Não sei o quanto é bom sair abrindo tanta coisa, pois você pode ficar louco administrando tanta sensação (quando tem que trabalhar, atualizar o blog, se alimentar, viver, trocar de roupa, banho, cotonete). Mas é engraçado olhar pra véspera da abertura de algum chacra desses e pensar "nossa, olha como eu era".
Pode parecer trivial, mas é muito diferente de "não conhecia alcachofra, agora comi e me sinto outra". São portais da vida, uma loucura!